PARA ONDE VAI SAULINHO FERREIRA?

dezembro 11, 2011

Em Are You Going With Me?, o guitarrista Pat Metheny parecia lançar, trinta anos atrás, um convite a músicos e ouvintes dispostos a acompanhá-lo numa longa jornada de exploração das possibilidades da Música. Não foram poucos os que aderiram ao chamado daquele que seria um dos principais responsáveis pela renovação de músicos e públicos de Jazz em escala internacional. Metheny alargou de vez as fronteiras entre os gêneros. E foi além. Em parceria estreita com o pianista Lyle Mays, criou formas musicais preocupado apenas em dar vazão a ideias inspiradas em todas culturas possíveis. Seus temas são grandes passeios por muitos mundos.

Que o chamado de Pat Metheny foi bem ouvido em Sergipe, não há dúvida. Vejo e ouço seus efeitos cada vez com maior intensidade no engajamento entusiasmado de jovens músicos em busca de caminhos próprios, de suas próprias direções. Também guitarrista, Saulinho Ferreira vem encarnando há alguns anos o melhor espírito da liberdade de escolha estética, com riscos assumidos. Se atua com o mesmo brilho e seriedade idêntica da MPB ao Pop Rock, é na expressão de sua própria música, no entanto, que suas ideias encontram terreno para correrem soltas.

É o que se vê no recém-saído disco Direções. Acompanhado de show, o lançamento registra por onde Saulinho tem andado e que caminhos compõem seu horizonte. O material do Cd tem cerca de quatro anos e é fotografia de momento, como toda gravação. Boas fotos não envelhecem, é fato.

Como sabemos, muita coisa se passou de lá para cá, com destaque aos projetos do Em 3, Ferraro Trio e Quarteto Clube do Jazz, todos instrumentais. Mais estrada, mais maturidade. No show de estreia, Saulinho optou por apresentar o disco e, como brinde, mostrar todas as autoatualizações do músico! Lá estava aquela magia dos sons que fazem viajar, as sugestões, atmosferas, o passeio por sensações; ora suavidade, ora explosão; ora a introspecção de um Milton, ora o vigor de um Hendrix… Mas acima de tudo, uma música muito própria. Boa estrada, amigo!

Vídeo de apresentação do show: http://www.youtube.com/watch?v=JKAV9ux0PkY

Ernesto Seidl
Produtor e apresentador do Clube do Jazz (Aperipê FM, Aracaju/SE)

FESTIVAL MANGABA INSTRUMENTAL: REALIDADE!

setembro 11, 2011

De tanto rezar, chegamos lá! O primeiro Festival Instrumental em Sergipe. Todos detalhes abaixo, com destaque ao quarteto Sinequanon (foto), referência no Jazz contemporâneo made in Brazil.

O Festival Mangaba Instrumental é um projeto cultural idealizado pela Eccos Eventos que pretende, a longo prazo, fomentar e difundir a música instrumental feita em Sergipe, através da promoção de shows com artistas locais em ascensão e do intercâmbio com grupos mais experientes do cenário instrumental brasileiro, bem como a formação de público para vertentes musicais que incluem, em seu caldeirão de influências, misturas de jazz, rock, chôro, soul music, erudito, ritmos nordestinos e experimentações audio-visuais.

A cena instrumental local, ainda em desenvolvimento, já exibe sinais de força, estética própria, diversidade e compromisso com uma música baseada na improvisação e na livre expressão de instrumentistas das mais variadas formações, resultando em propostas diversificadas e resultados sonoros por vezes surpreendentes. O Mangaba Instrumental se propõe a ser uma vitrine para este segmento específico, bem como firmar-se no calendário nacional de festivais de música instrumental, atraindo renomados músicos brasileiros e incentivando a produção de novos trabalhos em Sergipe.

A primeira edição do evento acontecerá de 16 a 18 de Setembro, com dois dias no Oceanário de Aracaju, na Orla de Atalaia, e o domingo no tradicional Chorinho do Inácio, no Bairro América. O preço popular do ingresso (R$10,00 no Oceanário, R$4,00 no Chorinho do Inácio) visa atrair um público amplo e variado, incentivando a formação de platéia para a música instrumental produzida em Sergipe. Na sexta, a partir das 22h, apresentam-se os grupos Casa Forte, Coutto & Orchestra de Cabeça, Ferraro Trio e Vendo 147 (BA); No sábado, sobem ao palco do Oceanário, a partir das 21h, Alberto Silveira, Café Pequeno e Sinequanon (SP). No domingo, o tradicional Chorinho do Inácio, incorporado ao festival, acontece a partir das 18h no Bairro América.

PROGRAMAÇÃO:

Sexta, 16 de Setembro – Oceanário de Aracaju (R$10,00)

22h – Casa Forte

22:40h – Coutto & Orchestra de Cabeça

23:30h – Ferraro Trio

00:30h – Vendo 147 (BA) – Lançamento do CD “Godofredo”

Sábado, 17 de Setembro – SESC Centro

15h – Workshop do Sinequanon sobre improvisação coletiva (R$10,00)

Sábado, 17 de Setembro – Oceanário de Aracaju (R$10,00)

21h – Alberto Silveira

21:40h – Café Pequeno

22:30h – Sinequanon (SP)

Domingo, 18 de Setembro – Chorinho do Inácio

18h – Chorinho do Inácio, no Bairro América (Couvert de R$4,00)

- SINEQUANON (SP): O grupo brasileiro Sinequanon, com Lupa Santiago (guitarra), Vítor Alcântara (saxofones), Sidiel Vieira (contrabaixo) e Carlos Ezequiel (bateria), explora a improvisação coletiva na linguagem do jazz moderno. Com 10 anos de experiência e 4 cds lançados, o grupo já se apresentou por todo o Brasil em festivais e é figura frequente na cena de jazz de SP. Nessa primeira vez em Aracaju, o quarteto paulista apresentará algumas das composições que fazem parte de seus mais recentes cds, cuja sonoridade se refere principalmente ao jazz de NY e ao jazz europeu.

- VENDO 147 (BA): Nascida em Salvador, tem como principal diferencial o uso do “clone drum” (bateria siamêsa, onde um mesmo bumbo é tocado por duas pessoas, sincronizadas). A banda é formada por Glauco Neves e Dimmy “O Demolidor” Drummer, os “bateristas-clones”, Pedro Itan e Duardo Costa, nas guitarras, e Caio Parish, no baixo. O grupo iniciou suas atividades em 2009 e, em pouco tempo, conseguiu difundir seu som em quase todos os cantos do país, tendo participado dos principais festivais de música, como: Do Sol (RN), Aumenta que é Rock (PB), Campeonato Mineiro de Surfe (BH), Palco do Rock no carnaval (BA), Abril Pro Rock (PE), Maionese (AL), Virada Cultural (SP), Bananada (GO), Demo Sul (PR), Festival Instrumental BNB (PB e CE), Big Bands e Grito do Rock (BA), entre outros. A banda acaba de lançar seu primeiro CD, “Godofredo”, e realizou a “Turnê 147” com 20 shows em 25 dias, pelas regiões Sul e Sudeste.

- CAFÉ PEQUENO: O terceto sergipano de música instrumental surgiu em 2005 e é composto pelos músicos Pedrinho Mendonça (percussão), Júlio Rêgo (gaita) e Guga Montalvão (violão). Em 2009 lançou o elogiado “Café Pequeno Na Cozinha de Badyally”, o primeiro cd do grupo, com 6 canções autorais e releituras do alagoano Hermeto Pascoal, do sergipano João Rodrigues e do espanhol Manuel de Falla. Em 2010 o grupo viajou até a França e tocou no Café Lê Fleurus e na Cité Universitaire Internationale de Paris, onde realizou um show para acadêmicos de várias partes do mundo. Ainda em 2010 vencem a etapa nacional do Festival de Música da Arpub e em maio de 2011 o grupo se apresentou no XI Tensamba Festival, em Madri, Espanha.

- FERRARO TRIO: Formado em 2009 pelos músicos sergipanos Saulo Ferreira (guitarra), Robson Souza (baixo) e Rafael Jr (bateria), o grupo lançou dois EPs, um DVD e um single virtual, e vem se apresentando em eventos como Verão Sergipe 2010 (Barra dos Coqueiros) e 2011 (Caueira), Projeto Verão (orla de Atalaia), II Simpósio de Educação Musical na UFS, Festival Rock Sertão (Glória/SE), Feira Música Brasil (Belo Horizonte/MG), VI Festival BNB de Música Instrumental (Juazeiro/CE e Souza/PB), Festival de Música da ARPUB, entre muitos outros. Produziram shows com projeção de imagens no Teatro Lourival Batista e auditório do CIC, venceram editais públicos de circulação e gravação, e participaram das coletâneas “Sergipe´s Finest” (Disco de Barro/SE) e “Compact.Rec” (Funarte/Minc).

- ALBERTO SILVEIRA: Compositor, arranjador e violonista, tocou em bandas de pop rock e em projetos de música instrumental brasileira em bares na noite sergipana. Foi finalista do Festival da TV Atalaia em 2009 e 2010, e foi o artista instrumental mais votado pelo público no Festival da Aperipê. Também é autor de trilhas sonoras para o cinema – “A Parede” foi vencedor do prêmio Aperipê de 2007 e “Do Outro Lado do Rio” está atualmente em circuito de exibição. Em 2011 foi selecionado para a Mostra de Música Sergipana do SESC.

- COUTTO & ORCHESTRA DE CABEÇA: O grupo sergipano faz música pensando em imagens, como uma montagem sonora do cotidiano. A Orchestra é fruto da combinação de histórias indizíveis onde as músicas costuram uma dinâmica de sensações em timbres acústicos e elétricos, ruídos da cidade, da casa, levemente suspensos sob o imaginário de Coutto e sua Orchestra de Cabeça. Um início, uma ladeira.

- CASA FORTE: Power trio formado em 2010 por integrantes de duas bandas de hardcore conhecidas de Sergipe, a Rótulo e a Nucleador, com a proposta de fazer rock instrumental misturado também a influências de samba rock, funk, soul, blues e jazz. Utilizando a riqueza desses gêneros musicais, as canções vão surgindo da vontade de explorar esses ritmos. A banda está em processo de pré-produção do primeiro EP, com 5 faixas autorais. A Casa Forte é composta por Erik Frog (guitarras), Roque Joseph (baixo) e Bruno Petoh (Bateria).

NA ESTRADA COM FERRARO TRIO

junho 4, 2011

Três dias, dois shows, 1.800 km, quatro estados atravessados. Seriam boas palavras-chave para resumir a experiência no mini-tour com Ferraro Trio & Equipe pelo VI Festival BNB de Música Instrumental, no final de maio. Mas seria injusto não acrescentar: muita descontração, camaradagem e música em estados sólido, líquido e gasoso. Pat Metheny, Nico Assunção, Kiko Freitas e Jaco Pastorius praticamente viajavam conosco!

Dois destinos anotados na agenda: Juazeiro do Norte, sul do Ceará, e Sousa, extremo oeste paraibano. Ambos no semi-árido. Juazeiro do Norte, tudo bem. Padre Cícero na veia, mil documentários e matérias a respeito. Agora… Você disse Sousa? Sim, é isso mesmo. Missão dada ao Ferraro é missão cumprida.

Primeira estação, Garanhuns. Ao saber que chegávamos a Garanhuns, nos Alpes pernambucanos, nosso guitarrista gritou “chocolate quente”, provavelmente sem sequer acordar. Mas às seis da matina o Sertão exige mais respeito: cuscuz, macaxeira, inhame, carne do sol acebolada frita light e café com leite. O jovem garçom se chamava John Lennon e aparece no retrato.

Enfim Juazeiro, cidade de 250 mil habitantes, região de alta densidade cultural. Particularmente densa na música, muito ligada ao folclore. Dados do Estado informam haver 72 grupos de cultura popular registrados na cidade. E chegava de Aracaju, cansado, porém vibrante, mais um para se juntar aos locais. Esse trazia um baixo elétrico de 5 cordas, uma guitarra semiacústica, partes de uma bateria e um som atraente. O Sertão também sabe dar boas-vindas ao que não for reisado, maracatu e forró.

A grande satisfação inicial de todos foi descobrir que a cidade tem um Centro Cultural de respeito, o Centro Cultural do Banco do Nordeste, sede do Festival. Sousa e Fortaleza são as outras cidades com a mesma estrutura. Que aquela terra era de milagres, já sabíamos de antemão. Mas aquilo era obra humana. O raciocínio da turma foi unânime: “putz! E por que Aracaju não tem um negócio assim, oxente?” Vários andares muito bem cuidados com estrutura para exposições, biblioteca, cursos e conferências, e uma bela sala de apresentações. Tudo novo. Uma sala com cerca de 150 lugares confortáveis, palco correto, sala de controle de som, camarins, staff completo. “Também queremos isso”, repetíamos.

A proposta do Festival BNB de Música Instrumental é formar público. Em outras palavras, criar nas pessoas sensibilidade e curiosidade suficientes para fazê-las sair de casa e ouvir algo que não esteja ao alcance do rádio, da TV e do arrocha-bar da esquina. Para isso, escalaram, via edital, 20 grupos de todo país (mais um trio da Argentina, de lambuja), que circularam pelas três sedes em 40 apresentações gratuitas. O pequeno Sergipe deu sua contribuição, e bem dada.

Tudo impecável. Show começando com pontualidade máxima, público silencioso e atento. Assim é possível se apreciar Música da mesma forma que se aprecia, por exemplo, um filme ou um livro. Observei em detalhe a reação da plateia. Muita atenção, algumas cabeças marcando o groove da bateria e, aos poucos, assobios e aplausos mais relaxados também se impondo. O repertório foi apresentado à moda Ferraro, com aquela comunicação easy going que falta a muitos grupos que, talvez por timidez, narcisismo ou falta de traquejo mesmo, se limitam a monossílabos. Claro que a Música fala por ela mesma; mas um pouco de conversa não mata ninguém, correto? Em suma, se o público não saiu totalmente formado, pelo menos bem informado, saiu!

Bueno, mas a noite não era apenas sergipana. Natal preparara uma surpresa a juazeirenses e sergipanos. Saturnino e o Disco Avuadô fechariam a apresentação. Com o dever cumprido, Ferraro & Equipe só curtiam o fusion regional-com-pé-em-Minas do sexteto potiguar. Muito bom! O encontro acabou em Pizza na Hilda, onde não se vende bebida alcoólica. Procurei investigar, mas não souberam me explicar o motivo da Lei Seca no estabelecimento. Muitas figurinhas e Cds foram trocados entre todos e mais um retrato registrou o momento.

Pedindo bênção ao Padinho, a caravana seguiu rota na manhã seguinte. Com o guia Quatro Rodas em mãos, o rumo era Sousa, berço do Vale dos Dinossauros. Registra-se ser o local de maior acúmulo de pegadas de dinossauros do planeta. Mas até chegarmos aos dinos, muita estrada, lindas paisagens com tabuleiros, serras e penhascos. E a BR 116, generosa em buracos.

Sousa City não passa de 65 mil habitantes. E daí? Novamente, uma beleza de Centro Cultural BNB, cheirando a novo, uma tetéia. Estrutura de show idêntica à de Juazeiro. Curiosos, Robson, Rafael Jr. e eu fomos checar in loco a biblioteca, no 3º andar. Aprovada. Literaturas as mais variadas e até songbooks de Caetano, João Bosco e Chico Buarque. Ao alcance de qualquer cidadão.

Na Paraíba, Ferraro Trio encontrou público maior e mais solto. Isso se refletiu de imediato no palco e tornou o show de fechamento muito gratificante a todos. O setlist de 14 temas foi mantido, dividido igualitariamente entre composições do trio e obras de Hendrix, Simonal, Tower of Power e outros. Ao final do show, empacotando equipamentos, Saulinho foi abordado por um homem que propôs ao guitarrista colocar letra em sua composição Comboio para Lisboa. Paraíba é terra de poetas.

Coda: Churrasquinho, fritas e cerveja, por favor, porque aqui ninguém é de ferro! A noite em Sousa foi pródiga em bons papos, preparando um longo, mas tranquilo, retorno a Sergipe, soldando relações que têm a Música como eixo, mas vão bem além dela.

Obrigado pela oportunidade.

Ernesto S.

Ficha Técnica:
Motorista: Andrey
Produtor: Mário Eugênio
Técnico de Som: Eduardo
Guitarra: Saulinho Ferreira
Contrabaixo: Robson Souza
Bateria: Rafael Jr.
Palpiteiro: Ernesto Seidl

FESTA DE ANIVERSÁRIO DO CLUBE DO JAZZ: JÁ É TRADIÇÃO

maio 4, 2011

Se o Jazz é uma forma insubstituível de arte, por expressar sentimentos de modo único e imprevisível, para celebrar essa arte é preciso muito… JAZZ, ora bolas! E isso não faltou de jeito nenhum na Festa que marcou os 4 anos de vida do Clube do Jazz. Foram doses longas, belíssimas e surpreendentes de muita música. O público até ficou semi-envergonhado para pedir um bis. Mas ele veio, lá pelas 3 e meia da madrugada, já nem sei mais se chovia cacau, canivete ou baldes d’água. Who cares? Cantaloop Island fechou a maratona musical corrida até o fim pelos atletas do Quarteto Clube do Jazz. Habib, Robson, Saulinho e Rafael Jr. provaram estar em forma.

Foi uma Festa no sentido completo do termo: público engajado e atento, pessoas se conhecendo, trocando impressões, compartilhando preferências. Noite para ver o rosto daqueles que formam um tipo de família virtual que se reúne a cada quarta-feira à noite, cada um em seu canto e a seu modo. E o velho Capitão Cook nos serviu de abrigo, uma Arca de Noé a nos garantir refúgio naquele dilúvio.

Quatro anos de uma emissão sobre Jazz numa rádio pública é uma vitória. Não há dúvidas. Uma vitória coletiva, conquistada especialmente pelos ouvintes que têm demonstrado que o programa merece continuar. Gente curiosa, que se permite descobrir, provar, que arrisca, mesmo que às vezes ache aquele solo de 12 minutos um porre! Cruzes! Mas a salvação se dá pelo risco, escreveu Clarice Lispector. A salvação do óbvio, redundante, do chato, do que já sabemos.

Na noite de sábado, 30 de abril de 2011, ninguém sabia ao certo o que ouviria. Claro, tratava-se de Jazz. E aí, The Long and Winding Road, dos Beatles, vira outra coisa; Part-Time Lover, de Stevie Wonder, se transmuta; Somos Todos Iguais Essa Noite, de Ivan Lins, ganha improváveis contornos latin Jazz; Donna Lee, tema de 1947, revive com outro sotaque, sessenta anos mais tarde, no Nordeste do Brasil. O Quarteto Clube do Jazz soube encarnar à perfeição a alma da modalidade musical mais arriscada até hoje conhecida. Quase um esporte de combate. E ainda uniram-se ao Quarteto outros bravos: o flautista João Liberato, o trompetista Gentil, a vocalista Monara e o gaitista Júlio Rego. Tropa de Elite da Música em Sergipe!

Muito obrigado a todos que têm levado calor e força ao Clube do Jazz. Já somos história. E como sabemos, a Arte é longa, mas a Vida é breve.

Grande abraço.
Ernesto Seidl, produtor e apresentador do Clube do Jazz.

Fotos da Festa em:

https://picasaweb.google.com/antoidrex/4AniversarioDoClubeDoJazzAracajuAbrilDe2011#

FESTA DE 4º ANIVERSÁRIO DO CLUBE DO JAZZ

abril 16, 2011

Ao caminhar se faz o caminho, diz o poema de Antonio Machado. Com quatro anos e duzentos programas apresentados, Clube do Jazz tem feito sua trilha. Mas nunca sozinho, obviamente. Um público cada vez maior, mais diversificado, mais globalizado e mais interativo tem sido o grande parceiro do Programa. Obrigado a todos!

Boas razões para festejar, portanto. Novamente, como ano passado, faremos do Capitão Cook um templo do Jazz. A Festa de 4º Aniversário do Programa promete maravilhas. O Quarteto Clube do Jazz já dispensa apresentações, mas os músicos merecem ser nomeados: Alejandro Habib (saxofones soprano e barítono e líder), Robson Souza (contrabaixo elétrico 5 cordas), Rafael Jr. (bateria) e Saulinho Ferreira (guitarra semiacústica). O repertório garante agrado a todos os gostos, dos mais festivos aos mais sombrios. Mas é claro que em noite de festa não se fica só nas baladas! Convidados de luxo estarão no palco para tocar e cantar com o Quarteto, que está voando baixo.

Nos vemos lá. E cheguem cedo!

Data: sábado, 30 de abril de 2011
Local: Bar Capitão Cook, 22 horas
Ingressos: R$10,00 (no local)

COM A BOCA NO TROMBONE: MAESTRO MOISÉS

fevereiro 13, 2011

Quem já colocou a boca num Trombone (no sentido literal, eu digo), sabe a dificuldade de tirar algum som respeitável do instrumento. Não por acaso, está entre os mais xucros deles. Mas está também, e isso não é pouco, entre os mais belos e monumentais! Se for Trombone de vara (há também o de pisto), então, dobre-se o grau de dificuldade na execução. Exige muita sensibilidade do instrumentista, pois, assim como violinos, violoncelos, contrabaixos acústicos e fretless, por exemplo, não conta com marcações precisas de escala de tons.

Clube do Jazz ficou honrado em receber, em pleno janeiro, um trombonista de raízes sergipanas e forte sotaque brasileiro: Maestro Moisés Trombone. Em conversa tranquila ao vivo, além de sua história na música, também executou trechos de temas como “Manhã de Carnaval” e “As Rosas não Falam”. Lindo demais. Me empolguei tanto que me atrevi a assoprar no bocal do Trombone dourado. Sem comentários.

Maestro Moisés falou muito sobre o instrumento, os desafios, a beleza, e também sobre grandes heróis trombonistas: J. J. Johnson e Curtis Fuller, nos Estados Unidos, Raul de Souza, no Brasil. Este último, verdadeira lenda, considerado um dos tops do instrumento em escala mundial.

Após o Programa, rumamos direto para o Murato, onde o Quarteto Clube do Jazz esperava o Maestro e seu amigo dourado de braços abertos. O então Quinteto CJ fechou o ambiente na hora. Ficou irresistível demais aquela música. Em “Quintessência”, de J. T. Meirelles, hino do Samba Jazz, teve gente que até dançou!
A propósito, alguém aí já ouviu o som de um solo de Trombone? Tá esperando o quê?

Ernesto Seidl é produtor e apresentador do Clube do Jazz

NÃO DEIXE O SAMBA JAZZ MORRER!

outubro 16, 2010

Parodiando o célebre refrão acima, imortalizado por Alcione num quase hino nacional, levamos todos a sério a ideia nessa véspera de feriado, 11 de outubro de 2010, na 1ª Noite do Samba Jazz. Que Festa! Até quem não é de sambar, sambou. Solo ou à deux, num estilo mais gafieirístico.

Que a noite prometia, até surdo sabia. Mas a octanagem vista no Bar Capitão Cook, bunker do Jazz Sergipano, superou até os mais entusiastas do Projeto arquitetado há alguns meses. O público encheu a casa logo cedo e aguardou animado a entrada do Quarteto Clube do Jazz. Anunciado o programa da noite, começa um variado, corajoso e bem executado primeiro set. De tudo um pouco: Bebop, Swing, Fusion e dois temas de composição do saxofonista e líder Alejandro Habib (Clube do Jazz e Belina). Habib revelou talento inequívoco para baladas de melodias envolventes. Belina, em especial, tem passagens de forte lirismo, casando à perfeição com o timbre introspectivo do sax barítono de Habib. Mas registre-se que a versão contagiante de Hit the Road Jack (Ray Charles) agora virou obrigação do Quarteto. O bar inteiro marcou o compasso com palmas.

Preparado o terreno e após intervalo para retomar fôlego, o segundo e mais aguardado set teve início com dois temas instrumentais: Quintessência (J. T. Meirelles) e Nanã (Moacir Santos), ambas composições que estão na base do surgimento e afirmação do gênero Samba Jazz, no início dos anos 1960. Em seguida, uniu-se ao Quarteto Monara, coroando com voz, brilho e intensidade um repertório celebradíssimo, de Tom Jobim & Vinícius, Baden Powell, Edu Lobo a Zé Keti e João Melo (ver set list completo abaixo). Daí até o final, alta madrugada, estava completo o tributo do Jazz ao respeitado Samba.

Como diz o ditado, “quem não gosta de Samba (Jazz), bom sujeito não é…”.

Muito obrigado a todos envolvidos no Projeto e, em especial, ao público. Até a próxima.
Confira todas fotos da Noite em http://picasaweb.google.com/antoidrex/1NoiteDoSambaJazz?feat=content_notification#

Set List NOITE DO SAMBA JAZZ (Cap. Cook, 11/10/2010)
1º Set:
WORKSONG (Nat Adderley)
MOANIN’ (Bobby Timmons)
CLUBE DO JAZZ (Alejandro Habib)
LITTLE SUEDE SHOES (Charlie Parker)
SCRAPPLE FROM THE APPLE (Charlie Parker)
BELLINA (Alejandro Habib)
LAST TRAIN HOME (Pat Metheny)
BLUES MARCH (Benny Golson)
HIT THE ROAD JACK (Ray Charles)
St. THOMAS (Sonny Rollins)

Intervalo

2º Set:
QUINTESSÊNCIA (J. T. Meirelles)
NANÃ (Moacir Santos)
Com Monara:
O MORRO NÃO TEM VEZ (T. Jobim/V. Moraes)
ÁGUA DE BEBER (Tom Jobim)
CANTO DE OSSANHA (Baden Powell/V. Moraes)
ARRASTÃO (Edu Lobo)
UPA, NEGUINHO (Edu Lobo)
SAMBOU, SAMBOU (João Melo/João Donato)
QUERELAS DO BRASIL (M. Tapajós/Aldir Blanc)
OPINIÃO (Zé Keti)
É COM ESSE QUE EU VOU (Pedro Caetano)
CONSOLAÇÃO/BERIMBAU (B. Powell/V. Moraes)
LADEIRA DA PREGUIÇA (Gilberto Gil)

Ernesto Seidl
Produtor e apresentador do Clube do Jazz

UM MENINO CHAMADO MILTON NASCIMENTO (Iª Parte)

agosto 18, 2010

Caetano Veloso disse que, se Deus cantasse, cantaria com a voz de Milton Nascimento. Ainda acho que Ele não seria tão bom! Especulação à parte, Milton chega perto dos 70 anos de idade (nasceu em outubro de 1942) com desempenho vocal aparentemente bastante próximo daquele que o consagrou há mais de quatro décadas. Consegue ainda encarnar na ativa, portanto, o papel de membro do panteão maior da MPB, junto com Caetano, Gilberto Gil e Chico Buarque. Registre-se que 1942 deu à luz homens como Milton, Caetano e Gil. Chico nasceria dois anos mais tarde. Inacreditável que um só país tenha tido uma geração de músicos populares desse calibre e tão completos.

Para quem até pouco tempo temia nunca conseguir assistir a um show de Milton Nascimento, vê-lo duas vezes em menos de dois anos é quase excentricidade! Meu caso. Aproveito para dizer que a sorte me sorriu com todos os dentes. Meu début de Milton foi em Ouro Preto, ao ar livre, bem acompanhado, numa noite de céu claro e lua em plena praça Tiradentes. A ocasião era o Festival Tudo é Jazz e Milton era o homenageado da edição 2008. Show completo e, como convidados, nomes da estatura de Wayne Shorter e Ron Carter. Para um aficcionado por jazz, uma situação só acessível em sonhos! Não era.

Adiante. Na segunda vez, nem precisei sair de Aracaju para ver deus. Ele veio a mim, e num domingo, dia santo. Obrigado, MN. Tá certo que a conta bancária se divertiu menos.

Milton abriu com Paula e Bebeto, tema gravado em 1975, letra de Caetano e um hit cujo estribilho inclui a transcendental afirmação “qualquer maneira de amor vale a pena”. Dali até o final, apenas lendas de nossa música popular. Quantos compositores poderiam cobrir mais de trinta anos com sucessos? Obviamente, dezenas de temas tão bons ficaram de fora do setlist.

Pela segunda vez, percebi que Milton não é de muito papo em cena. E quando fala, parece que é sempre meio improvisado. Como alguém sem costume de falar em público. Isso me dá a impressão de uma naturalidade que costuma faltar a artistas de longa estrada, cuja tendência a frases e piadas prontas é sempre um atalho mais simples. No final das contas, a simpatia contida acaba vencendo e Milton lembra um menino simpaticão, gingando um pouco, atento com os músicos, concentrado em si mesmo, embora sem discursos.

Para fechar, confesso que até meus vinte e muitos anos o que conhecia da música de Milton Nascimento se limitava ao senso comum miltiano: Coração de Estudante, Canção da América e Maria, Maria. Em parte por influência de um amigo, Estevão Malfussi, comecei a explorar Milton com o disco Angelus (1993). Ali se iniciava um corpo a corpo com a densidade de sua obra que dura até hoje.

Ouço sistematicamente Courage, Clube da Esquina 1, Clube da Esquina 2, Minas, Gerais, Caçador de Mim, Milagre dos Peixes… e é como varrer as camadas da terra com uma vassourinha, ao estilo de um arqueólogo, indo sempre mais fundo na beleza e na dureza, num sofrimento quase doce, numa melancolia muito própria. Qualquer tema na interpretação de Milton ganha notas de dramaticidade e alguma melancolia. Mesmo em temas, em princípio, mais para cima, como Cravo e Canela, por exemplo. O timbre, a modulação, o uso do falsete (sua assinatura), algum não sei o quê que mexe lá no fundo. Melhor nem tentar explicar.

Continua em breve.

Ernesto Seidl é produtor e apresentador do Clube do Jazz, Aperipê FM

FERRARO, OU A ARTE DO TRIO: MOSAICO DE SONS & IMAGENS

julho 21, 2010

Como se sabe, o cinema nasceu mudo, porém logo encontrou na música aliado perfeito para fortalecer a dinâmica e a profundidade da narrativa das imagens. A trilha era sempre executada ao vivo. Obviamente, exigia dos músicos maestria para garantir algo difícil: sincronia. Como também se sabe, os anos 30 aposentaram os músicos do cinema mudo e abriram portas aos compositores de trilhas gravadas para filmes falados.

Teatro Lourival Batista, Aracaju, 16 de julho de 2010. Ferraro Trio inverte o expediente e usa imagens para colorir sua música. Voltava, assim, aos anos 80, saudando a genial invenção do Videoclipe que tem marcado gerações desde então. Na ocasião, aliás, o grupo lançava DVD gravado em apresentação ao vivo.

De cabo a rabo, o show entrelaçou a lógica do tocado com a do projetado em telão ao lado do palco. Gerava, assim, uma terceira narrativa. E de modo inteligente, criativo, cômico. O VJ (vídeo jóquei) também foi um ás. Percebeu-se logo tratar-se de um show no sentido cheio da palavra. Performance, produção, ensaio, suor, preparação. Naquela noite, Ferraro Trio & Equipe levantavam o padrão da produção musical em Sergipe. Isso não é pouco.

Fosse apenas isso, já seria ótimo. Mas a qualidade da música impressionou. Vamos do início: o trio é a formação completa mais básica na música, não importando o gênero (clássico, jazz, rock). Nele, tem-se os três elementos fundamentais que garantem ritmo/condução, melodia e harmonia. Numa situação em que cada instrumento é obrigado a garantir sua função, o grau de dependência entre eles é máximo. E altos são os riscos de erro. Bateria e baixo, diga-se de passagem, simplesmente não têm direito a equívocos, pois não há rede de segurança para esse tipo de equilibristas. Então a palavra é essa: equilíbrio.

Tratando-se de um Trio com pé fincado explicitamente no groove do funk (e não de um clássico Power Trio de rock), tudo levaria a crer que o terceiro elemento, a guitarra, estaria muito mais centrado ditando a melodia, claro, colorindo a condução com acordes e, eventualmente, cravando alguns solos, tudo em benefício daquela famosa levada que faz todos baterem o pé. Sim e não! É aí que a coisa fica mais complicada, e justamente mais bonita.

Saulo Ferreira ditava a melodia, com frequência em uníssono com o baixo 5 strings de Robson Souza. Também com frequência, adicionava força à levada, buscando intensidade na combinação integrada do trio, puxada pela bateria de Rafael Jr. – um homem responsável. Mas Saulo não acrescentava apenas algumas cores. Era um arco-íris inteiro. Nos solos, mas não apenas, o domínio da linguagem jazzística brotava no uso de quiálteras e na polirritmia discreta, no abuso de acordes e notas dissonantes, elementos raríssimos em um Trio funk/rock. Os solos do grupo, no entanto, foram sempre concisos e obedeceram à economia do Ferraro, cuja maturidade já não sente falta das demonstrações de virtuosismo banal. A economia com precisão é a virtude.

A criatividade diversificada na escolha dos músicos convidados, chamados alternadamente para compor um mosaico na recriação de formas da Black Music, de James Brown a Black Rio e Benjor, com escalas em Stevie Wonder com direito a voz e, pasmem, Beatles, mereceria páginas à parte.

Portanto, há novidade cultural inteligente na cidade. E para os que duvidam, isso também é Sergipanidade.

Ernesto Seidl é produtor e apresentador do Programa Clube do Jazz da rádio Aperipê FM, 104,9 (Aracaju/SE).

FESTA DE TRÊS ANOS DO CLUBE DO JAZZ: IMPRESSÕES

abril 25, 2010

Gostaria de começar agradecendo: às cerca de 300 pessoas que prestigiaram a Festa, encheram o Capitão Cook por todos lados e deram calor, colorido e energia à noite. Eram a razão principal da noitada.
Em seguida, registrar o caráter histórico de tudo isso: não se tem notícia de evento parecido – tanta gente reunida em torno de uma celebração de Jazz e Música Instrumental no Estado de Sergipe, embalada por um programa de rádio.
Me desculpem, mas não quero perder a oportunidade: em tempos de rebolations, virilhadas e outras modalidades de música pélvica, é bom tomar um ar fresco e acreditar que nem tudo está perdido.

O Clube do Jazz Quarteto
Alejandro Habib (Sax barítono e soprano e líder)
Saulo Ferreira (Guitarras)
Robson Souza (Contrabaixo elétrico)
Rafael Jr. (Bateria)

A grande vedette da noite foi mesmo a Música, e sobre isso não há dúvidas. O Clube do Jazz Quarteto entrou em cena de preto, mas soltou cores desde o início ao abrir o primeiro set da noite com Song for My Father (Horace Silver, 1965). E daí em diante, todos tons foram de celebração com Duke Ellington, Ray Charles, John Coltrane, Stevie Wonder, Charlie Parker, Pat Metheny… Bom, o setlist completo está reproduzido abaixo.

Casa transbordando desde o início, público extasiado, quarteto voando. E quem diria que o segundo set seria aberto com um presente em forma de notas? Alejandro Habib, saxofonista e compositor, me chamou ao palco e anunciou, com um envelope pardo na mão, que havia composto um tema em homenagem ao Programa Clube do Jazz: um Blues em Si bemol intitulado Clube do Jazz! Sem comentários.

Apresentado o Blues em partitura e em música, o baile seguiu em octanagens ainda maiores. Aí vieram os Convidados, entrou Samba Jazz na roda e nem preciso contar o resto em detalhes.

Com o Morro não tem Vez (Jobim e V. de Morais) e Opinião (Nara Leão), o Quarteto foi vitaminado pela voz potente e suingada da cantora Monara, já entrando em cena também o trompete e flugelhorn de Gentil, o sax tenor de Davysson Lima e, por fim, a harmônica eletrizada de Júlio Rego. De quebra, o brinde dado pelo pandeiro de Pedrinho Mendonça em Incompatiblidade de Gênios (João Bosco e Aldir Blanc), com direito a duelo Pandeiro X Bateria!

Só que o resto não foi silêncio! Às 02:19 da madrugada de 18 de abril, a alguns metros de onde rio e oceano se encontram, um cavalo de batalha da música contemporânea foi posto em campo: Impressions (John Coltrane, 1961). Depois disso, até um bis pareceria supérfluo.

Novamente, obrigado a todos. Ano que vem tem mais.

Ernesto Seidl

Setlist Festa do Clube do Jazz (17.04.2010)
SONG FOR MY FATHER (Horace Silver)
BUSTED (Ray Charles)
MY FAVORITE THINGS (Rodgers & Hammerstein)
CARAVAN (Juan Tizol / Duke Ellington)
JAMES (Pat Metheny)
GEORGIA ON MY MIND (Ray Charles)
SCRAPPLE FROM THE APPLE (Charlie Parker)
YOU ARE THE SUNSHINE OF MY LIFE (Stevie Wonder)
INTERVALO
CLUBE DO JAZZ (Alejandro Habib)
HOTTENTOT (John Scofield)
SIR DUKE (Stevie Wonder)
BATIDA DIFERENTE (Maurício Einhorn/Durval Ferreira)
A LOVE SUPREME (John Coltrane)
O MORRO NÃO TEM VEZ (Tom Jobim e Vinícius de Morais)
OPINIÃO (Nara Leão)
INCOMPATIBILIDADE DE GÊNIOS (João Bosco/ Aldir Blanc)
IMPRESSIONS (John Coltrane)

BIS: Caravan


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