Stanley Jordan & Armandinho, ou Os Deuses Devem Estar Loucos

8 dez

Duas escolas; uma guitarra normal, outra minúscula, uma norteamericana, outra baiana. A yankee, negra; a baiana, branca. Apenas alguns dos coloridos do encontro entre  Armandinho (Bandolim e Guitarra Baiana) e Stanley Jordan (Guitarra normal, mas tocada deus sabe como!).

Pois é, anos na expectativa de ver Jordan. Havia perdido seus shows em Porto Alegre por mais de uma vez. Em Aracaju, não. Esperava a técnica encantadora de tocar guitarra sem ter exatamente o som de uma, mas talvez de uma harpa; o lirismo das leituras inacreditáveis de temas do pop/rock, como The Sound of  Silence (Simon & Garfunkel) e Eleanor Rigby (P. McCartney); a oportunidade de ver duas mãos lado a lado tocando no mesmo braço do instrumento, invenção caseira do próprio Jordan.

Tudo isso estava lá. Primeiro solo, a forma como o conheci através do LP Standards vol. I; depois em trio com dois brasileiros na bateria e no baixo; e então veio o baixinho de munhequeira, chapéu, Bandolim em punho, e o que faltava: energia, interação, carisma e ritmo. Aí, sim, ficou completo.

O Teatro, que é grande, enfim se energizou e o paradoxo ficou claro: a grande estrela era ele, Jordan; e se não fosse o Armandinho?

Obviamente, ou nem tanto, a questão não é a qualidade, talento ou qualquer outra coisa sobre Stanley Jordan. Sua arte é grande, inovadora, emocionante. Mas não foi feita para ser apreciada em grandes teatros, especialmente quando toca sozinho. É bem verdade que esperávamos todos uma palavrinhas dele, em qualquer idioma. Algum sorriso a mais. Jordan recebeu das mãos de Elifas, luthier das guitarras baianas, um instrumento desenhado pelo próprio Armandinho. Motivo de honra, não há dúvida. A estrela, porém,  alta e esguia, mal mexeu os músculos da face e, se bem vi, nem chegou pousar as mãos na guitarrinha que lhe ofereciam. O público parecia mais feliz com o presente do que ele próprio. Tudo bem que não era Carnaval, mas um pouco de descontração não machuca.

Mas há outra questão, mais séria, creio eu: o Brasil conhece razoavelmente bem o Armandinho divertido, do trio e do entretenimento. Conhece pouco, no entanto, o Armandinho artista, reharmonizador inventivo, recriador do Bandolim e da Guitarra Baiana. Não resisti e lembro o gênio Jobim: “O Brasil não conhece o Brasil!”

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